No palimpsesto de ideias sequiosas de contar o esplendor de uma cidade, nascida de outras tantas ideias e fortes vontades, as palavras moldam estórias que outras historias já esfumaram e desvendam segredos há muito esquecidos.
Como viajante encontro uma diversidade cosmopolita de fragrâncias, vivências, sabores, gritos, melodias envolvo-me no caos das mutações e com vontade arbitrária inicio uma narrativa de imagens ligadas com a argamassa da palavra escrita, desfiando lembranças contra o olvido.
Vislumbres de profissões que o tempo abandona, património que temos obrigação de manter e conhecer.
Na sua luz e cor única que todo o arauto proclama desnuda-se num gesto espontâneo repleto de altivez sussurrando cumplicidades a preto e branco.
E neste estado acromático renasce inesquecível e musa de toda a arte.

Na frenética teia urbana, veiculos, pessoas e animais movimentam-se a diferentes velocidades, alguns sem objectivo definido, mas quase todos com atenção displicente ao que os circunda. Na urdidura de um espaço que reclama o seu espaço nasce em contraponto os que desenham a cidade.
Desenhar é ver, é compreender, é estar atento, é não conseguir resistir ao feitiço de viajar, de contar, de partilhar o que naturalmente se expressa no papel.

As aquisições de uma geração são os alicerces da geração seguinte e neste fluir constante e inexorável pautado pela necessidade crescente do imediato há saberes negligenciados, experiências em risco de se perder.
Os artesãos do passado são os alquimistas do presente, resistem contra a adversidade, em nome da profissão que conhecem e que a moderninade relega sem compaixão para a brumas da obscuridade.